Artigos Cientificos

Repositório de artigos publicados por investigadores da Associação de Acupuntura Toyo-Hari

Palestra do Steve sobre os estudos científicos em Acupunctura

Entre 1995 e 2005 houve um aumento explosivo de estudos feitos na área da acupunctura – investigação clínica e fisiológica. Esta taxa de crescimento foi superior à de estudos em Medicina Convencional.
Isto é importante porque no passado havia poucos estudos e de baixa qualidade.
Neste momento, com maior quantidade de estudos e com melhor qualidade podemos ver com mais clareza se a acupunctura funciona ou não.
O que nos foi dito foi: “Vocês têm que testar a acupunctura como se testa um medicamento. Têm de usar o efeito placebo.”.
Então, desde os anos 70 que se está a tentar perceber como se pode fazer isto. Num teste de medicamento é fácil: existem dois comprimidos e um tem o químico e no outro não. Depois veda-se a visão de quem dá e de quem recebe. E é isto. O controlo de placebo é isto.
Quando se faz o controlo duma técnica (ex: massagem, acupunctura,…), chama-se sham – tem de se fazer algo de semelhante ao original.
Nos anos 70 fizeram acupunctura chinesa e outra coisa qualquer. Isso não funcionava.
Nos anos 80 disseram “ se se fizer a acupunctura temos que estimular para sentirmos o deqi. Na simulação não vamos fazer a obtenção do deqi.”. E então começaram a fazer acupunctura superficial (inserida 2mm sem manipulação).
O problema é que eu pratico acupunctura Japonesa desde os anos 80, com inserção superficial e sem manipulação e tenho-o o feito com resultados bastante positivos. Pelo que percebi imediatamente que iria haver aqui um problema.

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Em 1998 foram inventadas umas tecnologias que podem simular a punctura (streitburger, park needle, takakura, instrumento de punctura sham). O primeiro, “streitburger” pressiona a pele e faz sangue, pelo que não é inerte fisiologicamente. E o placebo deve ser inerte.

Algumas pesquisas clínicas usaram-nos denominando-os de placebo e depois verificaram que não eram inertes., o que é por si só uma contradição.

Mais recentemente, tem-se estudado a fisiologia da punctura superficial ou de não inserção e o que se percebe é que não só não é inerte como é clinicamente activa.

Eu já sabia disto, mas foi feita investigação fisiológica sobre isto mesmo.

Normalmente quando se faz um teste clínico existem duas variáveis que são importantes: onde se fez a punctura e qual a técnica usada. Num teste sham usa-se uma técnica diferente num “não-ponto”. Alguns testes fazem uma técnica diferente nos mesmos pontos, como a acupunctura real. Isto não é um estudo de acupunctura sham, isto é um estudo comparando técnicas, como se fosse equivalente à  comparação de dose de medicamento (p.ex. medicamento de 50mg vs 20mg). Enquanto que no placebo a dose deve ser igual.

Tem havido também estudos fisiológicos na comparação dos efeitos da acupunctura vs a acupunctura sham no cérebro e verifica-se que a acupunctura tem acções no cérebro, ou seja, é activa, não é inerte. Activa regiões do cérebro e o placebo não.

Em 2012 foi feito um estudo em que mapearam as micro estruturas fisiológicas da pele que pudessem ser estimuladas pela penetração duma agulha, em cada camada e verificaram as conexões e ligações fisiológicas e identificaram 90. Por ex, quando se toca na pele desencadeiam-se certas reacções, quando se exerce pressão desencadeiam-se outras, quando se irrompe pela pele ainda existem outras e à medida que se penetra mais ainda, aparecerão mais reacções.

Nenhuma destas estruturas é inerte, incluindo a superfície da pele.

Então temos uma contradição porque estamos a fazer estudos com a acupunctura sham em que estes estudos incluem partes fisiológicas activas. Ou seja, não se estão a fazer estudos placebo mas sim estudos de dose.

Isto torna difícil que seja apenas um estudo a dizer se a acupunctura é mais eficaz que a punctura sham, pois são necessários muitos pacientes para evitar cometer-se erro tipo II. (Lewith Machia 1983).

Portanto, será só apenas quando vários estudos tiverem sido conduzidos, para que a amostra seja suficiente quando forem feitas as “systemtic reviews” e as “meta-analisis” para se poder dizer se a acupunctura é mais eficaz que a punctura sham.

À medida que mais estudos estão a ser finalizados as condições ficam melhores para  estas comparações. E efectivamente no final dos anos 90 e depois do ano 2000 temos visto cada vez mais estudos a serem concluídos e, sobretudo depois de 2015, pode-se afirmar que a amostra é o suficiente para se  confirmar que a acupunctura é mais eficaz que a punctura sham, e como tal que o placebo, e, portanto, que funciona.

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Em 1998, foi feita uma “systematic review” que demonstra que a acupunctura é eficaz  para dor aguda após extracção dum dente. No ano 2000, também para dor lombar e cefaleia. Em 2002 Vickers tb confirma estes resultados.

Em 2010, um grupo na Austrália, avança para confirmar a eficácia da acupunctura em outros sintomas, nomeadamente, rinite alérgica , dor lombar e pélvica na gravidez, profilaxia na cefaleia e náusea e vómitos na quimioterapia.

Em 2017, McDonald-Janz publica a eficácia da acupunctura para rinite alérgica sazonal ou perene, cefaleia por tensão ou crónica, profilaxia na enxaqueca, náusea e vómitos na quimioterapia, lombalgia crónica, osteoartrite do joelho, dor pós cirurgia, náusea e vómitos pós cirurgia

 

Desde 1998, que têm surgido vários outras patologias para as quais se pensa que a acupunctura funciona mas ainda não há evidência suficiente, sendo que em 2017 McDonald-Janz salienta 38 condições, nomeadamente: lombalgia aguda, avc em estado agudo, anestesia ambulatória, ansiedade, asma na idade adulta, dor lombar e pélvica na gravidez, dor no cancro, fadiga no cancro, depressão, olhos secos,  hipertensão, síndrome do cólon irritável, dor no parto, afrontamentos, cervicalgia, obesidade, insónia peri e pós menopausa, dor plantar, insónia pós avc,  dor no ombro pós avc, espasticidade pós-avc, Síndrome pós-traumático. Prostatite, recuperação após intervenção no cancro do cólon, síndrome das pernas irrequietas, esquizofrenia, ciática, deixar de fumar, reabilitação pós avc, dor tempero-mandibular.

Em 2012, Vickers e outros, aglomeraram estudos no que eles chamaram de meta-análise individual, tendo sido actualizado em 2018, onde se constata que a acupunctura é mais eficaz que a punctura sham e, consequentemente, que o efeito placebo, mas cuja eficácia (effect size) é relativamente baixa. Mas olhando por exemplo para a osteoartrite, cuja alternativa é os pacientes tomarem medicação e esteróides que implicam muitos efeitos secundários e que, por ex. no UK originam 2000 mortes por ano., enquanto que a acupunctura não causa efeitos secundários nem mortes. Adicionalmente, a acupunctura vai tendo efeitos cumulativos positivos a prazo enquanto que os medicamentos químicos é o inverso. E se deixarmos de fazer acupunctura os efeitos ainda persistem por meses enquanto que os medicamentos assim que deixarmos os sintomas voltam.

A eficácia da acupunctura também quando comparada com técnicas de tratamento alternativas (por ex massagem,  fisioterapia) é superior.

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Outra questão é que quando olhamos por ex para a dor crónica, esta faz-se acompanhar de vários outros sintomas, como depressão, ansiedade, fadiga, insónia,… e qual é o medicamento que consiga tratar ou lidar com estes sintomas  todos ao mesmo tempo?! A acupunctura é eficaz em cada um destes sintomas e em todos em simultâneo.

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Artigos

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