Casos Clínicos

Toyohari

hemacia_falciforme

Nome: Noélia

Queixa Principal: Depranocitose – anemia de células falciformes

Noélia é uma rapariga de 36 anos que desde sempre sofreu desta queixa, sendo que desde miúda que ía parar ao hospital com frequência por ocorrerem crises vaso-oclusivas, que causam dores muito fortes e baixas drásticas de hemoglobina.

O sangue apresenta os glóbulos vermelhos alterados, em forma de foice. Isto torna a sua passagem nos capilares difícil, pelo que com o muito frio, muito calor, mudanças repentinas de temperatura, fadiga, stress ou qualquer  infecção, pode tornar rijos estes globules, que logo entopem os vasos sanguíneos, principalmente os mais finos (articulações, pulmão…). Dá-se um estrangulamento/obstrução (a chamada vaso-oclusão), que causa dores muito fortes e latejantes.

Procurou-me para lhe fazer tratamentos em Outubro de 2011. Comecei por fazer semanalmente, tratando principalmente os órgãos Baço, Coração e Fígado. Pelo pulso e abdómen parecia ser este o padrão de tratamento.

Passado um mês, Noélia teve a crise da sua vida. Foi de urgência parar ao hospital onde passou 2 semanas na cama levando morfina e outros medicamentos fortes para minorar os seus sintomas. Foi muito duro vê-la naquela cama naquele estado de fragilidade, mas ao mesmo tempo um grande ensinamento de coração pela solidariedade da família e a boa disposição. A mãe e a irmã passavam quase os dias inteiros com ela alternadamente. E esta passava os dias em que não estivesse totalmente mal, a rir e a fazer as suas colegas de quarto rirem.

Depois de lhe ter sido dada alta ainda tinha as mãos muito inchadas e doridas e o peito como se sofresse de ataques de facas. Fui a casa fazer-lhe tratamentos e aí rapidamente me apercebi que o Pulmão era um órgão a ter em grande atenção. Mudei os meus tratamentos para padrão de Pulmão, em vez do padrão de Baço, como anteriormente. Era em tudo igual a não ser que anteriormente não estava a incluir a tonificação deste órgão, que agora tinha passado a ser prioritário.

Fazia-lhe chinetsukyu (moxa em cone) nos pontos onde lhe doía e a recuperação foi fantástica. É claro que também foi da ajuda de umas almofadas de gel que a irmã tinha comprado e que aquecia no microondas para serem aplicadas nas zonas das dores. (Segundo a sua experiência, qualquer fonte de calor  como sacos de água quente, roupa quente e larga e muita hidratação ajuda a minorar estas dores).

Mas a sua reacção à aplicação de moxa deixou toda a gente muito receptiva à continuação dos tratamentos.

Passado este episódio continuou a ir ter comigo semanalmente à clínica onde lhe fazia mais ou menos o mesmo tratamento, seguindo sempre o pulso e o abdómen. Notava que quando tinha dores o pulso ficava rugoso e então quando começava a sentir o pulso rugoso e as dores ainda estavam no início ía-lhe dizendo e ela sempre conseguiu controlar as situações.

Houve aqui também algumas alterações de base que ajudarem mas que foram sendo introduzidas a um ritmo muito lento porque implicava alterar hábitos muito antigos e aos quais ela associava a sua alegria de viver. Eram hábitos alimentares como o comer muito tarde à noite; comer feijão com banana a altas horas da noite (24h, 1h da manhã,…).

Comer a estas horas e comidas desta natureza enfraquecem imenso os órgãos digestivos, nomeadamente o baço e o fígado porque deverá ser a sua hora de repouso  e são órgãos essenciais na “construção” e limpeza do sangue.

No seu dia-a-dia também passava o tempo todo a correr de actividade para actividade, pois é uma rapariga muito activa e “apaixonada” pela vida. Todas estas advertências que eu já vinha fazendo há algum tempo ela via como sendo percursoras de “matar” um pouco a sua felicidade, mas aos poucos mentalizou-se que tinha, pelo menos, de momento, de as instituir.

Estas crises que Noélia foi tendo foram sendo menores, e diz sentir também uma melhoria do sistema imunitário em geral,  o que evita as crises. Bem como uma sensação de bem estar e melhoria da qualidade de vida.

Em Maio, começa a ter tosse, que se vai mantendo e piorando até Agosto. Diz-me que acha que a moxa que lhe faço no pulmão pode estar na origem desta tosse que traz uma expectoração verde. Respondo-lhe que isso é sinal que está a limpar os pulmões, que ficaram muito afectados com a crise de Novembro (recentemente tinha feito um exame que indicava que tinha uma mancha e uma cicatriz no pulmão). Mas como durava muito e ía piorando pediu-me para não continuar a fazer moxa nesse ponto (VG12 – ponto do pulmão e para fortalecer o sistema imunitário). Acedi, embora um pouco preocupada por poder não estar a fazer a limpeza que seria necessária. No entanto, sabia que Noélia era estóica e que o facto de estar a pedir era porque lhe estava já a custar mesmo muito. Foi à médica e esta disse-lhe que lhe iria dar um medicamento que em vez de parar a tosse ainda iria fazer mais tosse porque ela precisava de limpar os pulmões. Ela lá se aguentou com grande bravura, pois já vivia quase envergonhada com os ataques que tinha em certas situações que se tornavam embaraçosas. Dizia-me: “às tantas já tenho receio que as pessoas pensem que estou para aqui tuberculosa, tal é a violência com que tusso”. Durou mais 2 a 3 semanas e parou.

Nunca mais teve nenhum ataque do pulmão e as dores pelos trombos no sangue foram tornando-se mais esparsas.

Em finais de Setembro retomei gradualmente a moxa no ponto do Pulmão.

Este inverno teve umas 3 crises menores. Dizia-me muito contente há dias que este inverno tinha sido muito bom porque tinha sido tudo muito amenizado. Há cerca de um mês foi fazer mais exames, um para ver como estavam os pulmões e outro uma prova de esforço. Os pulmões estavam limpos sem manchas nem cicatrizes e a prova de esforço foi considerada pela especialista a melhor de Noélia, até então…

Toyohari – alergias

Catarina (nome falso) – alergias

28 de Abril

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Catarina tem 39 anos e é designer de equipamento. Neste momento faz estágio em cerâmica.

Desde há sensivelmente 1 semana que se sentiu muito “atacada” no nariz, com muita rinorreia e a falar pelo nariz. Não se conseguiu mexer durante 3 dias, por fraqueza e sentir a cabeça muito perturbada.

Fiz-lhe hoje um tratamento. Imediatamente notei que tinha o abdómen inferior muito dilatado e um pouco suave na pressão (o que demonstra pouca energia). Confessou-me que andava obstipada há 2 dias. Na área correspondente ao pulmão, o abdómen parecia estar muito contraído.

Vi o pulso e fiz os chamados 4 pontos. Quando coloquei o teishin no 6vc (abaixo do umbigo), confessou-me que lhe dava uma sensação muito esquisita. Disse-lhe que era provável que o que se passava com o nariz estivesse muito relacionado com o estado do intestino (o meridiano do intestino grosso termina ao lado das narinas e está invariavelmente envolvido nos problemas respiratórios). Contei-lhe, ainda, que andava a tratar uma rapariga com pólipos no nariz e que ela também tinha uma sensação muito semelhante à dela quando eu lhe aproximava o teishin do mesmo ponto abaixo do umbigo.

Tonifiquei-lhe os Rins(R7) com agulha de prata, bem como os Pulmões (P5). De seguida dispersei o Baço (BP9).

Procurei o ponto que no cruzamento da linha vertical do nariz e a linha de inserção dos cabelos (um pouco para dentro) fosse doloroso à pressão do teishin (instrumento equivalente a uma agulha sem ponta, ou de ponta redonda) e coloquei uma agulha. Procurei no espaço entre as sobrancelhas outro ponto que fosse sensível e inseri outra agulha. Depois introduzi nos pontos ao lado da base das narinas a apontar e a entrar o mais possível em direcção ao extremo superior da cana do nariz. Foi um pouco sensível nestas inserções, sentindo que elas todas estavam a comunicar umas com as outras e também ligeira impressão de choque, por vezes.

Como se queixava igualmente de zumbidos fiz moxa nos pontos distais correspondentes.

Quando tirei as agulhas da cara sentiu algum alivio.

Virou-se de costas e fiz moxa no 12VG, para tonificar o sistema imunitário, e procurei pontos reactivos, chamados os pontos da asma. Fiz moxa também nesses pontos e deixei uma agulha intradérmica em cada.

Novamente de face para o ar, pressionei com o teishin os pontos que começavam da extremidade interna das sobrancelhas em direcção ao topo da cabeça e aí foi muitíssimo reactiva, ameaçando gritar, por vezes. No couro cabeludo era bastante sensível. Depois, quando pressionei a cana do nariz e o bordo superior do maxilar começou mesmo a verter lágrimas. Levantava as mãos como se estivesse com contracção por espasmos e soltava o choro. Perguntei-lhe se poderia continuar e foi-me dizendo sempre que sim.

Terminei com uma leve massagem ao rosto, até acalmar o choro e tonifiquei o 6vc.

No fim sentiu que melhorou do corrimento nasal e o nariz parecia um pouco menos obstruído.

O zumbido manteve-se.

Chegada a casa enviou-me um sms a dizer que tinha tido uma cólica grande e que após ter ido à casa de banho o nariz descongestionou praticamente todo. Estava contente. Todavia, começou a aparecer uma suave dor de cabeça lateral…

Ao lavar o nariz diz que anteriormente vinha sempre uma viscosidade amarela ou verde e que desta vez veio clarinho.

Resolvi redigir este caso pela clareza que traz da relação entre o intestino e a alergia, ou o nariz tapado. Catarina já estava consciente desta situação e por isso mal se sentiu “atacada” deixou de comer bolachas, pão e iogurtes (outros lacticínios já não ingeria), mas ainda assim o intestino estava bastante dilatado.

É já muito conhecido que os lacticínios provocam estes problemas, mas talvez seja menos divulgado o facto de tudo o que é hidrato de carbono simples, como o pão branco, ou massas ou arroz branco também pioram estas situações. Para quem ingere lacitcínios eu costumo dizer “pelo menos 1 mês antes da primavera pare com isso. E tente não ingerir até pelo menos finais de Maio. Depois logo vê se quer continuar, mas o ideal é não porque senão depois no Outono ou na outra Primavera o mais provável é voltar”.

Toyohari – Tosse crónica

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Nome: Laura (nome falso)

Idade: 82 anos

Data da 1ª consulta: 21 de Outubro de 2012

Queixa: Tosse persistente desde há 3 anos

Laura andava com uma tosse seca muito persistente noite e dia, já há 3 anos. Tinha passado por muitos médicos e todos lhe diziam que não encontravam nada e que deveria ser da idade. Passou por terapeutas, melhorou, mas nunca ficava completamente liberta e depois voltava a agravar-se.

Queixava-se também de grande cansaço devido à tosse.

Laura é vegan desde os anos 80.

Quando me apareceu a sua figura era bastante frágil e um pouco agitada. Apresentava-se bastante magra, com a face enrugada, os olhos encovados e olheiras profundas e negras. A cor da tez era bastante branca, pálida. Laura é de origem belga.

Quando começou a tossir percebi um som que parecia que as cordas vocais estariam bastante irritadas e inflamadas e o som fazia me lembrar um fundo do tacho que estivesse a ser raspado por um garfo e estivesse prestes a romper. Tossiu bastante na sessão mas quando terminou já não voltou a tossir a não ser à noite. Foi muito tranquilizador saber disso. Era sinal dum prognóstico positivo.

Fiz-lhe Toyohari com Pulmão como padrão principal e fígado secundário, pelo que lhe fiz 8P, 5BP (pontos metal – bons para a tosse)  em tonificação, juntamente com 3F. O pulso que era bastante fino e fraco tornou-se mais redondo e menos fraco. Depois fiz kikei no yin qiao mai (6R, 7P) – assim que comecei a fazer moxa okyu no 6R a tosse acalmou. Depois passei para okyu no 5P, 7P e 9P. Nesta altura a tosse cessou.

Atrás, fiz okyu no 12VG, 13Bx e 12Bx. Por fim, chinetsukyu no 4VG e 23 e 52R. Deixei um magneto no 12 VG e pedi para se voltar novamente. Percebi que sempre que mudava de posição a tosse voltava.

Pude constatar que a pele estava muito seca, junto ao tomozelo e informei-a.

À frente coloquei agulhas intradérmicas no 7P.

Expliquei-lhe que todo o corpo estava numa secura muito grande (interna e externa) e que ela deveria comer menos fibra e beber muito sumo de pêra, bem como comer pêra cozida ou arroz branco com pêra para ajudar a tratar o pulmão. Igualmente receitei-lhe uns rebuçados de alcaçuz para humedecer a garganta e abrandar a tosse.

Ela confirmou-me que o médico lhe tinha dito que ela tinha acidez no estômago e que isso se reflectia na tosse. O alcaçuz também iria ter aqui uma acção.

Prescrevi-lhe ainda fórmulas chinesas para tonificar o yin em geral e o yin do Pulmão.

Depois disse ao filho para fazer moxa diariamente no 5P, 7P e 13 bx (5 okyu em cada ponto).

O filho foi sempre muito cumpridor e por vezes eu alterava-lhe os pontos onde deveria fazer a moxa, mas sempre com o intuito de promover o yin (humedecimento) do Pulmão e tratá-lo, bem como às cordas vocais.

Este caso foi muito interessante porque Laura recuperou muitíssimo ao fim de 8 sessões (por vezes ainda tossia mas era 1 ou 2 vezes à noite). Penso que a sua recuperação ter-se-á devido não só às fórmulas, mas sobretudo à dedicação incondicional do filho, que se disciplinava para fazer a moxa diariamente e porque Laura tinha um estilo de vida muito “clean” – não ingeria medicamentos químicos fortes há muitos anos, tinha uma alimentação talvez um pouco deficitária mas muito “limpa” e vive no campo alentejano como pintora.

A meio das sessões vim a saber pela filha que a tosse dela teria começado ou agravado-se desde há 3 anos quando tinha partido o fémur e tinha ido para o hospital e ficou a soro durante 3 dias, tendo emagrecido muito (pois a sua constituição já de si era frágil).

Isto poderá ser difícil de compreender mas segundo a filosofia da medicina chinesa e japonesa, Laura apresenta uma tipologia do elemento metal – tem a pele branca como cal, destaca-se a zona dos ombros e peito na sua constituição, é muito atenta aos pormenores e a um certo rigor, etc (isto são tudo características do elemento metal).

Neste sentido, quando uma pessoa é de uma tipologia isso pode-se tornar um ponto a favor ou a desfavor. Quando a pessoa fica muito fraca vai-se reflectir nesse seu “ponto”. Ou seja, já tinha tendência para problemas no pulmão e quando ficou fraca essa foi a principal zona afectada…

Toyohari – Afonia

tosse

Constipações no final do ano…

Este final de ano de 2012 resolvi ir passar férias à Bélgica. Como sempre, levei a minha malinha com as agulhas e a moxa (para just in case…).

Depois de ter ficado em Bruxelas fui para Namur para a casa duns amigos. A família é relativamente grande – 6 pessoas, incluindo a Vera (nome falso).

Vera é uma rapariga de 13 anos (a quem eu daria 16 pelo porte e presença) que estava a sentir a garganta fraca e tinha tosse. Estava a beber um ice tea mas ao jantar comeu muito pouco – apenas um puré de batata.

De manhã estava com febre, afónica e muita tosse. Não conseguia sair da cama.

A mãe (vendedora de medicamentos) pediu ao pai (médico anestesista) que a fosse ver. Passados 10m apareceu na cozinha a dizer que o diagnóstico era afecção das vias respiratórias superiores e ela (mãe) com as mãos entrelaçadas a segurar umas 6 ou 7 caixas de medicamentos. Mas antes de avançarem olharam para mim e perguntaram-me se poderia observá-la e ver se seria possível fazer alguma coisa.

Subi as escadas e dirigi-me ao quarto com a mãe. Ela olhou para mim e tentou falar mas a voz era extremamente apagada.

Vi que deveria ter uma ligeira febre (cerca dos 37,5º) mas os pés estavam quentes. O pulso estava bastante cheio do lado esq, sobretudo na posição medial e o lado dto mais fraco.

O abdómen era relativamente tónico mas estava um pouco fraco à volta do umbigo e o quadrante à frente do ilíaco esq bastante tenso comparado com o direito.

O diagnóstico que fiz foi Lung Sho com Liver Excess. Peguei no teishin e ela olhou com um ar assustada mas quando viu que era uma espécie de agulha com a ponta redonda e que não iria ser furada, descansou. Disse-lhe que não lhe iria inserir agulhas.

Assim que fiz os quatro pontos do abdómen relaxou um pouco, pois não tinha tido más sensações.

Depois com uma agulha de prata tonifiquei o 8 do Pulmão, porque tinha tosse e o 4 do Baço. Ela nem se apercebeu que eu agora tinha na mão uma agulha.

Depois, peguei numa agulha de aço inoxidável e puncturei o 3 do Fígado tão superficial que ela nem sentiu e mais tarde até comentou com a mãe que tinha sentido que aquele ponto lhe tinha feito bem.

O pulso ficou bem melhor sobretudo depois deste último ponto. Fiz ainda o 58 da Bexiga, o qual ela também gostou.

Depois passei à moxa. Também ficou bastante assustada quando viu e tive que fazer primeiro na minha mão para ela ver que o calor não chegava à pele e que não iria sentir nada. A mãe também a tranquilizou bastante, Fiz 10 okyu no 5 do Pulmão, 7 no 7 do Pulmão e mais 7 no 9.

No final já não tinha febre e a tosse quase tinha passado. Mas ainda estava afónica.

Desci e disse ao pai que a febre já tinha passado e que ela estava com menos tosse. A mãe disse que não lhe iriam dar nada a não ser que ela piorasse. Perguntou-me se poderia fazer outro tratamento à noite. Hesitei um pouco e disse para ela dormir bastante e que depois à noite eu veria se achava que ela estaria em condições de levar uma segunda dose.

Ao final da tarde estava junto à lareira, a beber mais um ice tea e disse-me que se sentia bem melhor e que tinha dormido muito.

À noite e também com a anuência de Vera fui ver o pulso e o estado do corpo. O pulso estava bastante mais controlado, embora a posição do fígado era como se tivesse contida mas que se houvesse muito descuido poderia outra vez “entrar a galope”. Expliquei-lhe que não iria fazer grande coisa e fiz o 9 do pulmão com o 3 do baço e dispersei o 3 do fígado. Desta vez não senti necessidade de mexer na bexiga nem em qualquer outro.

Fiz 15 okyu no 14 do Vaso Governador e no 12 da Bexiga.

Sentu-se bem e foi novamente para a lareira enviar mensagens pelo telemóvel. Os pais estavam presentes mas como não diziam nada tive que dizer que ela deveria deitar-se cedo e descansar o máximo. A mãe mandou-a para a cama.

Dormiu a noite toda e de manhã já falava e a tosse praticamente não existiu. Ela ficou contente com os tratamentos e disse que se tinha sentido sempre muito bem e a sentr o corpo a ir descontraindo.

Toyohari – Infertilidade

Fertiização in Vitro

Ana M – Gestora, 30 anos

1ª consulta: 27 Setembro 2011

Queixa principal: Infertilidade

Duração dos tratamentos: Sessões quinzenais durante um mês e meio e semanal durante 1 mês

Descrição detalhada

História Clínica:

Fez transferência de embriões em julho.

Já tentou uma vez e não obteve sucesso. Encontra-se a fazer o processo numa instituição pública.

Actualmente sofre de algum stress e ansiedade.

Menstruação: Tem spotting e na primeira semana é castanho. Tem dores menstruais no ovário direito e muitos coágulos. Foram detectados quistos funcionais mas não sabe se é no ovário direito.

Durante uma semana o período é abundante e provoca dores lombares (rins).

Tem cefaleias na testa e olheiras escuras.

Nos sintomas pré menstruais inclui-se a irritabilidade, dores de cabeça, cansaço excessivo e pele oleosa.

Sono: profundo (6h a 7h), custa a levantar e tem muitos sonhos. Deita-se entre 23h30 e 24h.

Memória e concentração boas.

Digestões: normais.

Fezes: obstipação e flatulência – melhora se inclui legumes na alimentação;

Urina: regular;

Examinação e Observação: Apresentava o abdómen mais frio na parte inferior. As lombares eram ligeiramente mais frias que as costas. Isto era um indicador não muito grave – alguma deficiência nos rins e parte reprodutora.

O pulso apresentava-se muito tenso.

Tratamentos: quinzenais, durante um mês e meio, e semanal durante 1 mês

Diagnóstico: A sua tipologia é metal-água. Padrão água (Rins).

Método:

Usei agulha de prata para tonificar e agulha de aço inoxidável para dispersar. Fiz okyu (moxa “bago de arroz”) nas zonas de frio, sobretudo lombares, sacro e abdómen inferior.

Na zona lombar, abdómen e tornozelos inseri-lhe agulhas intradérmicas e magnetos que levava para casa.

Alimentação:

As instruções foi no sentido de reduzir o fast food.

Introduzir mais

–       leguminosas: grão, feijão, lentilhas…

–       alimentos integrais

–       legumes.

Expliquei-lhe que já estava provado que estes alimentos davam mais força aos espermatozóides e limpavam o corpo e que o fast food e toda a comida com muco criava o muco interno que desacelera muito a mobilidade dos espermatozóides.

Medicação: levou medicação ayurvédica para ajudar na questão da fertilização e para acalmar.

Evolução: foi acalmando e comendo melhor. O pulso foi ficando menos tenso. A menstruação menos abundante e o spotting na 2ª menstruação depois do início dos tratamentos já não existia. As cefaleias também desapareceram. As fezes melhoraram.

Passado 1,5 mês levou a injecção (dia 7.11) e passada uma semana veio a menstruação, novamente com dores mas com menos spm.

A partir daqui as sessões foram semanais.

Andava muito irritada e sentia-se muito inchada na zona abdominal e peito. Sentia-se mais cansada

Final de Novembro tinha dores no rim esquerdo.

Fez o restante processo. Perguntou-me se poderia ir fortalecendo a energia em casa e disse-lhe para fazer moxa no Baihui (topo da cabeça) com bastão. A 23 de Dezembro foi confirmado que tinha engravidado. Estava muito contente. Mantem o bastão na cabeça nestes 3 primeiros meses de gestação.

Hipogonadismo Hipogonadotrófico

Ana (nome falso) – Designer

31 anos

1ª consulta: 20 Março 2008

Queixa principal: Hipogonadismo Hipogonadotrófico (diminuição das glândulas de reprodução)

Duração dos tratamentos: Sessões quinzenais durante um ano e 2 meses

Descrição detalhada

História Clínica:

Em 2005 ficou sem período menstrual. Tinha deixado a pílula, que tomava desde os 18 anos.

Teve problemas emocionais  e perdeu peso. Ficou com 49 kg e mede 1,64m.

Passados 6 meses foi ao médico que lhe receitou a pílula e com isso engordou. Não tomou medicação anti-depressiva.

Já tinha feito acupunctura devido a dores nos tornozelos e pulsos. Em medicina chinesa isto pode ser indicador de fraqueza dos órgãos reprodutores.

Menstruação: tinha períodos longos 6-7 dias, abundantes. Agora são 3 dias e é acastanhado (o que é sinal de falta de energia e estagnação). Anteriormente tinha coágulos (também sinal de estagnação). A menarca foi aos 10 anos.

Sono: reparador

Memória e concentração boas.

Exercício Físico: sempre fez muito exercício físico – fez dança, ginástica e agora desde Outubro faz yoga.

Digestões: diagnosticada úlcera nervosa há 3 anos.

Fezes: regulares;

Urina: regular;

Examinação e Observação: Apresentava o abdómen muito frio, bem como a zona lombar. Isto era indicador da falta de energia no aparelho reprodutor.

Muito calor nas dorsais, entre as omoplatas, reflectindo a componente emocional.

A parte interna dos tornozelos estava muito escura, sintoma de energia estagnada no aparelho reprodutor.

O pulso apresentava-se muito regular mas a sensação ao toque era como se fosse de borracha (muito provavelmente devido à medicação que fazia). O mesmo com o abdómen e zona lombar.

Tratamentos: quinzenais.

Diagnóstico: A sua tipologia é metal-água. Inicialmente era padrão Pulmão.

Passou a padrão Fígado (o abdómen apresentava-se mais frio abaixo do umbigo), passados 3 meses.

Método: Toyohari

Usei agulha de prata para tonificar e agulha de aço inoxidável para dispersar. Fiz okyu (moxa “bago de arroz”) nas zonas de maior calor e nas zonas de frio.

Na zona lombar, abdómen e tornozelos inseri-lhe agulhas intradérmicas e magnetos que levava para casa.

Fitoterapia: Tomou fitoterapia ayurvédica.

Em Junho (3 meses depois de termos iniciado os tratamentos) mudou de ginecologista e deixou de tomar a medicação. Deixou de ter a menstruação.

Nesta altura, o pulso começou a querer recuperar uma batida mais representativa do verdadeiro estado, deixando progressivamente de apresentar a sensação de “emborrachado e artificial” ao toque.

Em Dezembro a paciente começou a detectar “sensações equivalentes a antigamente quando vinha o período” (palavras da paciente), nomeadamente formigueiro no abdómen inferior. A 27 apareceu.

Em Janeiro a menstruação ausentou-se novamente. Voltou em Fevereiro e desde então não faltou mais. A cor dos tornozelos foi melhorando e em Maio já não apresentava cor escura.

O abdómen foi deixando de ficar com sensibilidade de borracha e foi ficando mais harmonizado em termos de temperatura.

Em Maio já apresentava um abdómen equilibrado, bem como a zona lombar. O calor nos pontos entre as omoplatas era bastante menor. O pulso estava regularizado em todas as posições.

Em Janeiro tinha voltado à ginecologista e fez análises. A ginecologista achou que teria havido erro no teste que detectou o hipogonadismo hipogonadotrófico.

Deixou de fazer tratamentos em Maio.

Toyohari – problemas ginecológicos

Secura Vaginal

Maria (nome falso) – professora, 47 anos

1ª consulta: 17 de Novembro de 2009

Total de 7 sessões de Novembro até Março

Queixa principal: Secura Vaginal

História Clínica e Sintomas:

Entrou abruptamente na Menopausa em Fevereiro e ficou com secura geral mas sobretudo genital. Por vezes sente ardor, sensação de estar inflamada.

Maria foi ao médico e este queria dar-lhe medicação. Ela rejeitou por ter receio das possibilidades de isso vir a originar cancro da mama. No entanto, faz tratamento local hormonal que reduz a secura mas não a elimina. Esta torna-se deveras incomodativa sobretudo quando usa calças (na altura da 1ª consulta nem conseguia usar) ou quando faz aulas de yoga.

A secura também se fazia sentir ao nível ocular e na zona do queixo. Cabelo muito seco, quebradiço, com queda e sem brilho.

Maria apresenta também alguns suores, polaquiúria (necessidade frequente de urinar).irritabilidade e dores nos ossos.

A menopausa surgiu em consequência de um mestrado que lhe provocou um estado de stress permanente e falta de sono.

Já tinha tido uma depressão e o primeiro sinal foi ter um sono agitado, facto que anteriormente nunca lhe acontecia.

Digestões: regulares, mas já teve gastrite e colite

Fezes: regular

Urina: polaquiíúria ( desde há 2, 3 anos que tem tendência para infecções urinárias)

Toma isoflavonas – Estrofitoplus (há 2 anos) e anteriormente tomava Menosof.

Tratamento local: Vagifemme

Tomou óleo de onagra durante 2 anos.

Examinação e palpação: corpo bastante magro. O abdómen apresentava-se bastante deprimido na zona do fígado, que em toyohari é o quadrante junto ao ilíaco esquerdo.

A parte interna dos joelhos apresentava-se bastante mais rugosa que nas coxas e perna. A parte interna da perna junto aos tornozelos também se apresentava muito seca.

O pulso era muito fino, em corda (como se os dedos estivessem a sentir uma corda de viola). O pulso do fígado encontrava-se bastante deficiente.

Diagnóstico: O órgão mais deficiente era o Fígado acompanhado dos Rins. Na Medicina Chinesa o Fígado é um “General” porque está “preparado” para ir para a “Guerra”. Ou seja, é o Fígado que tem que saber gerir o stress e eliminar as toxinas que isto gera; é também responsável por gerir as emoções e, em termos físicos, na mulher, está encarregue da zona genital, reprodutora e hormonal. Os Rins apoiam-no neste processo.

Explicação do Diagnóstico e dos sintomas: O Fígado para estar bem energeticamente, precisa de não estar sobrecarregado com as funções acima descritas e precisa de “ter tempo para executar as suas tarefas”. Ou seja, à noite quando a pessoa se deita ele vai purificar o sangue, eliminar as toxinas e repor o tónus muscular. Se a pessoa não dorme e tem stress acumulado o fígado entra em esforço e isto pode ter diversas repercussões, nomeadamente na humidificação de alguns tecidos e mucosas – zona genital, olhos, pele, cabelo, tendões e unhas. Na face, alem dos olhos, Maria queixava-se de secura no queixo, que é a zona reflexa na cara da área genital e reprodutora.

A zona dos joelhos que se apresentava rugosa é onde se encontra o ponto do Fígado para regular a zona genital (ponto 8 do Fígado – F8) e a zona dos tornozelos também confirma a secura desta área.

A nível emocional, se o paciente está a braços com muitas situações que lhe provocam stress, o seu Fígado começa a apresentar irritabilidade – também conhecida pela expressão de “maus fígados”.

A dor nos ossos era sinal de como esta secura já estava a atingir um elevado grau, perturbando os rins (que regulam o tecido ósseo).

Método: Usei agulha de prata para tonificar (F8 e R10) e agulha de aço inoxidável para dispersar. Fiz okyu (moxa “bago de arroz”) na zona sagrada, nos joelhos e tornozelos. Inseri-lhe agulhas intradérmicas e magnetos que levava para casa. Tomou fitoterapia ayurvédica e ortomoleculares.

Maria tinha tentado vários tratamentos alternativos que melhoravam um pouco mas nunca eliminaram o problema.

Com a acupunctura Toyohari Maria precisou apenas de 3 sessões para sentir a secura controlada, sendo que depois disso começou a ter problemas de fígado e gástricos. Dir-se-ía ter havido uma espécie de transferência do problema para a sua origem. Começou com náuseas (também devido a medicação que se revelou excessiva para o seu fígado, e que foi ómega 3, 6 e 9,  o fígado muito debilitado rapidamente se tornou intolerante a estes óleos). Esta situação levou algum tempo mais a recuperar (mais 4 sessões) e assim que Maria se sentiu melhor no seu todo e confiante voltou a um ritmo um pouco frenético de trabalho (que tinha reduzido aquando dos tratamentos).

A situação também se resolveu com alguma rapidez a partir do momento em que Maria conseguiu fazer os trabalhos de casa, que consistiam  em fazer moxa okyu na zona do F8.

Toyohari:

Neoplasia da Mama

LP – reformada, 65 anos

1ª consulta: 7 de Abril de 2009

Queixa principal: Alterações e calcificações na mama esq

História Clínica e Sintomas:

Em Janeiro fez mamografia e ecografia. Extraiu gânglio sentinela.

Aos 45 anos (1990) tinha feito histerectomia do útero devido a prolapso. Tinha tido um parto aos 42 anos.

As menstruações eram regulares, com poucas dores e alguns coágulos.

Ía começar com radioterapia no Hospital da Luz.

Diagnosticada depressão em 2006. Em 2005 o marido tinha falecido.

Sono: deita-se à 1h e levanta-se às 11h. Toma medicação.

Digestões: refluxo. Foram detectados e extraídos pólipos.

Fezes: irregulares

Urina: vai 2x à noite ao WC. Tem infecção urinária. O médico considerou a bexiga hiper-activa – tem dificuldade de retenção.

Tem osteoporose.

Prescrevi-lhe prescrito radiosupporte, póllen e gel de aloé

Depois de começar com a radioterapia começou a sentir-se cansada e ficou com fezes soltas.

Depois começou a tomar o Biobran e o sistema fortaleceu rapidamente.

Passou pela radioterapia relativamente bem e algumas sessões depois de ter terminado o pulso retomou um estado “praticamente normal”.

Continuou com infecções urinárias que foram controladas com a toma do inur e as urgências urinárias continuam embora esteja relativamente melhor.

A LP evoluiu a olhos vistos, tinha as costas com a pele áspera e escamosa e uma depressão nas lombares muto pronunciada e escura. Actualmente, já não tem a depressão e a pele está muito mais macia.

Tinha também uma depressão no R3 e Bx60 que também estava muito pronunciada e que tem vindo a melhorar.

Diagnóstico: Fígado e Rim em deficiência. O pulso encontrava-se com as posições correspondentes aos órgãos yang muito superficiais e em excesso.

Método: Usei agulha de prata para tonificar (F8 e R10) e agulha de aço inoxidável para dispersar. Fiz okyu (moxa “bago de arroz”) na zona lombar e sagrada, nos joelhos e tornozelos. Inseri-lhe agulhas intradérmicas e magnetos que levava para casa. Tomou fitoterapia ayurvédica e ortomoleculares.

Já não tem infecções urinárias e a bexiga está mais vezes controlada.

Shonishin e Toyohari

Poliartrite

Joel – 10 anos

1ª consulta: 3 de Dezembro de 2009

Queixa principal: Poliartrite

História Clínica e Sintomas:

Foi diagnosticada poliartrite pela médica em Maio.

O pai também tinha e melhorou quando fez acupunctura.

Começou com pé direito, joelho e mão. Surgiu com uma prova de hipismo. Esforçou-se e ficou pior.

A reumatologista receitou-lhe metotrexato. folicil e brufen.

Piorou com o Inverno

Sono: bom;

Digestões: boas;

Fezes: normais – por vezes diarreia quando come chocolate.

Urina: intensa de manhã.

Fez análises e deu :

Waaler Rose Negativo

RA Negativo

Anticorpos Antinucleares ANA Positivo 160

Genotipagem HLA-B27 positivo

Examinação e palpação: Os dedos dos pés e sobretudo os das mãos encontravam-se bastante inchados e quentes. Joel não conseguia cerrar as mãos completamente quando cá chegou, sobretudo o dedo do meio.

Diagnóstico: Fígado e Rins em deficiência e Baço em excesso.

Explicação do Diagnóstico e dos sintomas: O Fígado e os Rins são responsáveis pela lubrificação e flexibilidade da articulações. Quando existe fleuma acumulada é o Baço responsável

Método: Usei shonishin fazendo uma massagem nas costas e procurando os pontos sensíveis. Com teichin fiz tonificação dos pontos correspondentes aos órgãos afectados e moxa okyu nas zonas inflamadas.

Joel foi bastante bravo pois durante 6 meses veio semanalmente e nunca se queixou da moxa. A médica subiu-lhe a dose de medicação em Janeiro mas em Maio voltou a reduzir. O estado dos membros é visivelmente melhor, já consegue cerrar as mãos completamente.

Contactos:

Email  acupuncturajaponesa@gmail.com

Lourenço de Azevedo – 966 477 424

Ana Sofia Pacheco – 969 115 508

José Cardal – 915 489 088

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